• 23 de janeiro de 2022
  • Nova Roma do Sul

Júri da Kiss: dono da boate teria pedido a segurança para ‘segurar um pouco a porta’ depois do incêndio, diz MP

Pela primeira vez no julgamento do incêndio na boate Kiss, na tarde desta quinta-feira (9), um depoimento guardado pelo Ministério Público foi utilizado na fase de debates. A promotora Lúcia Helena Callegari apresentou um documento no qual o segurança André de Lima, o Baby, afirmou, em um processo na Justiça Federal em 2015, que Elissandro Spohr, o Kiko, fez “com ele segurasse um pouco a porta” quando o público tentava deixar a casa noturna.

O relato foi feito em uma ação na 2ª Vara Federal de Santa Maria, em 28 de abril de 2015, ao juiz federal Jorge Luiz Ledur Brito. Baby teria percebido pelo odor que havia incêndio e viu uma fumaça preta.

Quando tentou sair da porta, Kiko teria tentado impedir que as pessoas saíssem sem pagar a conta. No depoimento, o segurança diz que houve um problema “uns meses antes”, em uma festa, na qual “deu um princípio de tumulto que queriam sair sem pagar a comanda”.

“Me dá até uma sensação de dolo direto. Ele se postou na frente da porta. Isso é uma conduta de gravidade extrema, é um egoísmo extremo. É aquela coisa: o dinheiro vale mais do que tudo”, disse a promotora.

O segurança morreu este ano vítima de Covid-19, segundo o Ministério Público.

Trecho de depoimento feito por testemunha em 2015 — Foto: MP/Divulgação

Trecho de depoimento feito por testemunha em 2015 — Foto: MP/Divulgação

De acordo com o documento, Baby afirmou que Kiko liberou a saída depois que percebeu o tumulto com as pessoas. O depoimento, para o Ministério Público, desmonta a ideia de que Kiko não interferiu no retardamento da evacuação e ajudou o público a sair.

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